Na coleta do PNCP, Santa Catarina teve 2.082 contratações de obra e engenharia entre 1.º de agosto e 23 de setembro de 2026, R$ 2,36 bilhões em valor estimado. Concorrência e pregão eletrônicos somam cerca de 97% desse valor. É valor estimado, filtro por palavra grosseiro, sem vencedor nem desconto. Não é obra executada.
Sou advogado e comando a Priorizzi. Quis saber o que aparece de obra pública em Santa Catarina, com dado e não com palpite. Esta é a primeira edição do Radar.
Fui à API pública do PNCP, o Portal Nacional de Contratações Públicas. Coletei as contratações de SC publicadas de 1.º de agosto a 23 de setembro de 2026, em seis modalidades. A coleta é de 24 de setembro. Das 13.414 contratações, separei as 2.082 que trazem no objeto palavras como obra, reforma, pavimentação, engenharia e saneamento.
O método limita o que eu posso dizer, então vai antes dos números.
- Todo valor é estimado. Não é valor contratado.
- O filtro por palavra é grosseiro. Pega compra de material e deixa passar obra descrita de outro jeito.
- O município é o da unidade que compra, não necessariamente o da obra.
- A base veio com cerca de 99% dos registros. Não é total exato.
- Não há vencedor, desconto nem número de licitantes.
Onde está o valor estimado
As 2.082 contratações somam R$ 2,36 bilhões estimados. Concorrência eletrônica e pregão eletrônico ficam com cerca de 97% disso, R$ 2,29 bilhões. A mediana das duas fica perto de R$ 460 mil.
- Concorrência eletrônica, 725 contratações, R$ 1,29 bilhão.
- Pregão eletrônico, 493 contratações, cerca de R$ 995 milhões.
- Dispensa, 542 contratações, mediana de R$ 7.337.
- Inexigibilidade, 293 contratações, mediana de R$ 5.495.
Quem concentra o dinheiro é o eletrônico. Dispensa e inexigibilidade somam 835 contratações, cerca de 40% do total, mas só R$ 58 milhões. Isso é valor estimado publicado. Não dá para dizer que é obra executada.
Entre os compradores, três aparecem no alto por valor estimado. A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, com R$ 267,7 milhões em 14 processos. O Cincatarina, com R$ 156 milhões em 3. O CIM-AMFRI, com R$ 152 milhões em 4.
Dois desses três são consórcios. No CINCATARINA, todo o valor é registro de preços, teto potencial e não contrato. No CIM-AMFRI, cerca de R$ 57 milhões são registro de preços e R$ 95 milhões são uma execução integral. Nenhum valor estimado prova demanda imediata de obra. Não dá para afirmar que é demanda imediata de obra.
Florianópolis tem 192 contratações e R$ 736 milhões estimados, o maior valor entre os municípios de unidade compradora, contando órgãos estaduais sediados na capital. A mediana é de R$ 24 mil, e 105 das 192 são dispensa ou inexigibilidade. O valor alto vem de poucos itens grandes, como uma barragem, uma estação de tratamento da CASAN e a reforma de uma sede da UDESC.
Cuidado com a leitura. A base traz o município da unidade compradora, e órgão estadual fica na capital. Não dá para dizer que essas obras são em Florianópolis.
O Planalto Norte em oito semanas
Para o Planalto Norte, reuni nove municípios, que são Canoinhas, Irineópolis, Mafra, Major Vieira, Papanduva, Porto União, Rio Negrinho, São Bento do Sul e Três Barras.
- 70 contratações de obra e engenharia no período, R$ 46,4 milhões estimados (68 com valor informado), mediana de R$ 270 mil.
- 54 das 70 em concorrência ou pregão eletrônico, 33 e 21.
- Rio Negrinho, com 14, e São Bento do Sul, com 11, têm o maior número de contratações.
- Irineópolis, com cerca de R$ 10 milhões, e São Bento do Sul, com R$ 9,9 milhões, têm o maior valor estimado.
Aqui o filtro pesa. Em 37 das 70, o objeto traz sinal de compra de material, como asfalto, CBUQ e materiais de construção. Não dá para afirmar quanto é obra de fato sem ler objeto a objeto.
Na dispensa e na inexigibilidade, o quadro é curto. Foram 9 dispensas, somando R$ 0,9 milhão, e 7 inexigibilidades, somando R$ 30 mil. Vale para este período e este filtro.
O que isso muda para uma construtora do Planalto Norte
Aqui termina o dado e começa a minha leitura.
Na amostra, a construtora da região que procura obra em dispensa encontra pouco. O que aparece passa quase todo por concorrência e pregão eletrônicos. Se essa leitura se sustentar nas próximas edições, o trabalho começa antes do edital, com documentação em dia e proposta pronta para a disputa em sistema.
Não digo que o mercado do Planalto Norte é pequeno perto do litoral. Esses números não permitem. Município pequeno pode contratar pouco pelo PNCP em oito semanas. A base também não traz obra contratada por convênio, nem quem venceu, nem desconto, nem quantos licitantes disputaram. Sobre concorrência real, margem, sazonalidade ou tendência, os números nada dizem. Há só um recorte de oito semanas.
Fale comigo
Se a sua construtora disputa obra pública em SC, me conte onde ela disputa e o que trava. Começo pela situação da empresa, com franqueza sobre o que dá e o que não dá para fazer.
Nota do método. Fonte, a API pública de consulta do PNCP, contratações por data de publicação, de 01/08/2026 a 23/09/2026, coletada em 24/09/2026 em duas passadas unidas. Recorte de obra e engenharia por palavra no objeto da contratação. Valor estimado, com valor vazio ou zero fora da soma e da mediana. Cerca de 63 linhas parecem repetidas e não foram removidas. A API perde registros, e a base é de cerca de 99%. Não entram contratos assinados, atas nem compras que não foram ao PNCP.
Este texto é informativo e geral. Não trata de caso concreto nem indica que alguma solução esteja disponível ou seja aprovada para determinada empresa.
Base legal
Fontes oficiais conferidas em